*A Face Oculta da Inclusão*
Nos processos seletivos e demissões impregnados de idadismo,
revela‑se uma contradição que desafia qualquer discurso corporativo de
inclusão. A idade, ainda que não declarada como critério, torna‑se parâmetro
silencioso que orienta decisões e molda destinos profissionais. Enquanto a
empresa proclama uma “política de inclusão” como verdade absoluta, os
colaboradores percebem, em suas rotinas, que tais políticas não passam de
enunciados vazios, incapazes de transformar a prática.
*Há algo profundamente filosófico nesse paradoxo: a
distância entre o que se diz e o que se faz*. Quando a idade é tratada como
limite, e não como expressão de trajetória, a organização revela sua
incapacidade de compreender a complexidade humana. O tempo vivido, que deveria
ser fonte de sabedoria, é convertido em obstáculo. O jovem é visto como promessa;
o maduro, como custo. Assim, o trabalho deixa de ser espaço de construção
coletiva e passa a ser campo de exclusão velada.
Os colaboradores, que convivem diariamente com esse
preconceito, sabem que a inclusão verdadeira não se sustenta em slogans. Sentem
o peso do idadismo infiltrado nas decisões, nas conversas, nos olhares. *Refletir
sobre isso é reconhecer que nenhuma política é legítima quando não é vivida*.
A inclusão real exige coragem para rever crenças, práticas e estruturas.
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Esse tema é tratado de uma forma especial e única pelo livro
Apesar da sua idade de Carlos Santarem.
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