Propósitos que sustentam a vida
Eu sou Carlos Santarem, e quero conversar com você sobre algo que atravessa minha vida, meus estudos e minhas inquietações mais profundas — um tema que, inclusive, trato com carinho no meu livro Apesar da Sua Idade. Falo dos propósitos que nos movem, especialmente quando chegamos à maturidade e percebemos que a vida, apesar de já ter nos ensinado tanto, ainda nos chama para aprender mais. É curioso como, com o passar dos anos, começamos a enxergar o tempo de outra maneira. Não como uma linha reta, mas como um tecido cheio de dobras, nuances e possibilidades. E, nesse tecido, o propósito funciona como o fio que costura tudo. Sem ele, a vida pode até continuar, mas perde textura, perde brilho, perde direção. O propósito é o que dá sentido ao que fazemos, ao que escolhemos e até ao que deixamos de fazer. Mas existe um detalhe importante que aprendi observando a mim mesmo e às pessoas ao meu redor: o perigo de depender de um único propósito. Durante muito tempo, acreditei que propósito era uma espécie de missão central, uma bandeira definitiva, uma frase de efeito que eu poderia colocar na parede e pronto — estaria resolvido. Mas a vida, sempre mais sábia do que nós, mostrou que propósitos únicos são frágeis. Eles podem ruir, mudar, desaparecer. E, quando isso acontece, quem se apoia apenas neles desaba junto. O trabalho acaba, os filhos crescem, os papéis mudam, os netos vão embora, as certezas evaporam. E, se colocamos todo o nosso sentido em apenas uma dessas coisas, ficamos vulneráveis demais. A maturidade, então, me ensinou algo precioso: não precisamos — e nem devemos — ter um único propósito. Precisamos de um conjunto deles, como quem cultiva um jardim com várias espécies. Algumas florescem rápido, outras demoram, algumas precisam de sol, outras de sombra. E todas, juntas, criam beleza, equilíbrio e vida.
Os propósitos pessoais são o primeiro tipo de propósito que aprendi a valorizar. Eles são íntimos, silenciosos, às vezes até secretos. São aqueles que nos lembram que ainda somos capazes de aprender, de criar, de nos reinventar. Pode ser estudar algo novo, desenvolver uma habilidade, cultivar um hobby, cuidar da saúde, explorar um interesse que ficou adormecido por décadas. Esses propósitos nos devolvem a nós mesmos. Eles nos lembram que não somos apenas função, papel ou responsabilidade. Somos seres em movimento, em expansão, em descoberta. E, para quem já viveu bastante, isso é libertador. É como reencontrar uma versão esquecida de si mesmo, uma versão que ainda tem brilho nos olhos e curiosidade no peito.
Mas a vida não é feita só de nós. E, se fosse, seria bem mais pobre. Os propósitos voltados para outras pessoas — familiares, amigos, colegas, comunidades — ampliam nossa existência. Eles nos tiram do centro e nos colocam em relação. E é na relação que crescemos. Quando ajudamos alguém, quando ensinamos, quando apoiamos, quando escutamos, quando compartilhamos, percebemos que nossa vida ganha novas camadas de sentido. É como se cada gesto criasse um fio invisível que nos conecta ao mundo. E, depois de certa idade, entendemos que são esses fios que realmente importam. Mas, claro, se vivermos apenas para os outros, corremos o risco de nos perder. De nos dissolver. De esquecer quem somos. Por isso, equilíbrio.
Existe ainda uma terceira dimensão — aquela que nos lembra que somos parte de algo muito maior do que nossa biografia. Os propósitos universais são aqueles que se dedicam ao mundo, às causas, ao futuro. São propósitos que não cabem em uma vida só. Eles atravessam gerações. Pode ser a defesa da natureza, a luta pela justiça, a luta contra o idadismo, a promoção da educação, a preservação da cultura, o compromisso com a paz, a busca pelo conhecimento. Esses propósitos nos dão a sensação de que nossa existência tem impacto. De que deixamos pegadas. De que contribuímos para algo que continuará depois de nós. E isso, para quem já viveu o suficiente para entender a brevidade da vida, é profundamente significativo.
Com o tempo, percebi que esses três tipos de propósito — pessoal, relacional e universal — formam um tripé. E, como todo tripé, ele só funciona quando as três pernas estão firmes. Se uma falta, a vida fica instável. Se duas faltam, ela desaba. Se as três estão presentes, a vida floresce. E é isso que desejo para mim e para você: uma vida que floresce. Uma vida que não depende de um único eixo, mas que se sustenta em múltiplas fontes de sentido.
Eu, Carlos Santarem, não venho aqui como dono da verdade. Venho como alguém que está aprendendo, tropeçando, rindo de si mesmo e tentando fazer sentido no caminho. E quero te convidar a refletir comigo. Quais são seus propósitos pessoais hoje? Quais são os propósitos que envolvem outras pessoas? E quais são os propósitos que você dedica ao mundo? Você tem vivido apoiado em um tripé ou em uma perna só? Você tem se permitido mudar de propósito quando a vida muda? Você tem nutrido sua essência, suas relações e suas causas? Essas perguntas não são para te pressionar. São para te libertar. São para te lembrar que, apesar da sua idade — e justamente por causa dela — você tem a chance de construir uma vida com mais sentido, mais profundidade e mais presença.
Se esse tema mexeu com você, se provocou um pensamento, uma dúvida, uma memória, uma vontade, compartilhe nos comentários. Quero te ouvir, quero aprender com você, quero continuar essa conversa. E, claro, marque o sininho para receber novas notificações. Compartilhe este tema com as pessoas queridas do seu relacionamento. Assim seguimos juntos, amadurecendo com propósito, humor e consciência. Porque a vida é breve, mas o sentido que damos a ela pode ser imenso.
Meu nome é Carlos Santarem, sou criador do Blog +D60 e autor do livro “Apesar da sua idade”
Veja em podcast
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