
A reflexão proposta em “O idadismo em combos que ninguém pediu” (texto extraído do livro "Apesar da sua idade") revela, com ironia filosófica, a arquitetura invisível das opressões que moldam a experiência humana. O texto expõe como a sociedade opera como um grande restaurante metafísico, onde ninguém escolhe o que recebe: os “combos” de preconceito são servidos como se fossem naturais, inevitáveis, quase cômicos em sua crueldade. O idadismo surge, então, não como um fenômeno isolado, mas como parte de uma engrenagem que mistura machismo, racismo e desdém existencial, compondo um cardápio que define quem merece visibilidade e quem é empurrado para as margens.
Ao destacar a condição das mulheres — e, de forma ainda mais contundente, das mulheres negras — o texto convoca o leitor a perceber que envelhecer não é apenas biologia, mas política. A resenha nos leva a questionar: quem decide o valor de uma vida? E por que aceitamos, tão passivamente, esses combos que nunca pedimos?
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Carlos Santarem
Nota: Este tema é aprofundado em meu novo livro "Apesar da sua idade" cujo lançamento está programado para breve
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